Comecei a ler um livro com muitas páginas.
Sugeri ao editor que diminuísse o tamanho da letra, para que as páginas fossem menos.
Recusou-se.
Disse ao autor que nunca iria ler aquele livro, a não ser que tivesse menos páginas.
O autor está morto.
Desconfio que ele não me ouviu.
Ainda tentei falar mais alto.
A única coisa que consegui foi com que o Coveiro me mandasse calar.
Conheci o Coveiro.
Ficámos amigos.
Prometeu-me que seria Ele a enterrar-me.
Concordei, e até fiquei sensibilizado.
Comecei a pensar mais tarde no que tinha acordado, e apercebi-me que tinha de morrer antes do coveiro.
Apressei-me a ir falar com Ele sobre isso.
Ele disse que já sabia.
Que para ser Ele a enterrar-me, tinha que morrer primeiro.
Perguntei-lhe como fazer isso.
Ele disse-me que por Ele estava tudo bem, desde que morresse na próxima semana.
Ele tem cancro nas unhas em estado terminal.
Não tinha alternativa que não fosse morrer.
Um acordo é um acordo!
Por isso, aqui estou eu à espera para morrer.
Combinei com o Coveiro em morrer hoje, e Ele disse-me para colocar o meu nome na Lista, e aguardar que me chamassem.
Parece que o Coveiro fez o mesmo tipo de acordo com várias pessoas.
Estamos todos aqui à espera pela nossa vez.
Tenho o número 439.
Vai no 88.
Ainda tenho uma longa espera pela frente.
Acho que devia ter lido outro livro.
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