Roberto Cidreira adorava chá de tília.
Sempre que ia tomar o pequeno-almoço ao café situado junto da sua casa, pedia um pastel de nata e um galão.
Quando ia lanchar, optava por tomar antes um sumo de laranja.
O pastel de nata mantinha-se. A não ser que houvesse queques. Nesse caso, pedia uma Bola de Berlim.
Não pedia Mil Folhas. Não gostava da sensação de ficar com a cobertura agarrada ao céu-da-boca. Achava incómodo.
Ao almoço comia sempre sopa. Por vezes, comia também sobremesa.
Não jantava, ceava.
Praticava desporto, e nunca comia comida rápida. Para ele, cada refeição era uma celebração.
Gostava de refeições sociais, de partilhar a hora da refeição com outros.
A sua vida podia dar um livro. Posteriormente, esse livro podia dar um filme. O inverso não era possível. A sua vida também nunca poderia dar um filme, sem antes ter dado um livro.
Bollywood apercebeu-se do enorme potencial que a sua estória representava.
Mas faltava o livro.
Raptaram Lobo Antunes, e obrigaram-no a escrever um livro sobre Roberto Cidreira.
Foi um sucesso.
Graças a esse livro, Lobo Antunes ganhou o Nobel da Medicina.
Houve uma troca de envelopes…
Lobo Antunes proibiu a adaptação do seu livro ao cinema.
Bollywood entrou num dilema.
Decidem raptar outro escritor, para passar para livro a vida de Roberto Cidreira.
Desta vez foi Clara Pinto Correia a escolhida. O Livro é publicado.
Lobo Antunes acusa-a de plágio.
Clara Pinto Correia acusa-o de ser cocó.
Roberto Cidreira morre.
A sua estória perde interesse.
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