quarta-feira, março 05, 2008

Roberto Cidreira

Roberto Cidreira adorava chá de tília.

Sempre que ia tomar o pequeno-almoço ao café situado junto da sua casa, pedia um pastel de nata e um galão.

Quando ia lanchar, optava por tomar antes um sumo de laranja.

O pastel de nata mantinha-se. A não ser que houvesse queques. Nesse caso, pedia uma Bola de Berlim.

Não pedia Mil Folhas. Não gostava da sensação de ficar com a cobertura agarrada ao céu-da-boca. Achava incómodo.

Ao almoço comia sempre sopa. Por vezes, comia também sobremesa.

Não jantava, ceava.

Praticava desporto, e nunca comia comida rápida. Para ele, cada refeição era uma celebração.

Gostava de refeições sociais, de partilhar a hora da refeição com outros.

A sua vida podia dar um livro. Posteriormente, esse livro podia dar um filme. O inverso não era possível. A sua vida também nunca poderia dar um filme, sem antes ter dado um livro.

Bollywood apercebeu-se do enorme potencial que a sua estória representava.

Mas faltava o livro.

Raptaram Lobo Antunes, e obrigaram-no a escrever um livro sobre Roberto Cidreira.

Foi um sucesso.

Graças a esse livro, Lobo Antunes ganhou o Nobel da Medicina.

Houve uma troca de envelopes…

Lobo Antunes proibiu a adaptação do seu livro ao cinema.

Bollywood entrou num dilema.

Decidem raptar outro escritor, para passar para livro a vida de Roberto Cidreira.

Desta vez foi Clara Pinto Correia a escolhida. O Livro é publicado.

Lobo Antunes acusa-a de plágio.

Clara Pinto Correia acusa-o de ser cocó.

Roberto Cidreira morre.

A sua estória perde interesse.

Sem comentários:

Visitas aqui ao cú mulo da parvoíce a partir de 11/09/2007 porque perdi o outro antigo

Contribuidores

Arquivo Morto 1xis2hs