Estou aqui, no jardim, sentado, a observar o que se passa à minha volta. É um jardim normal. As flores, os bancos, o lago, as pessoas, tudo é igual aos outros jardins. Olho para o meu lado esquerdo, e reparo no Homem-Estátua. Este Homem-Estátua é diferente de tudo o resto, de tudo o que seria de esperar.
Só existe aqui, neste jardim, um Homem-Estátua daqueles! Nunca fica quieto, está sempre a mexer-se. Fui até lá. Perguntei-lhe porque não ficava quieto. Respondeu-me que está farto de estar parado. Perguntei-lhe então porque é o Homem-Estátua. Respondeu-me que há muito tempo ficou quieto durante um curto espaço de tempo e as pessoas logo o apelidaram de Homem-Estátua. Perguntei-lhe porque não dizia às pessoas que não quer ser o Homem-Estátua. Respondeu-me que já o disse várias vezes, mas que ninguém prestou atenção. Perguntei-lhe se ele estava satisfeito com a situação. Respondeu-me que não. Perguntei-lhe o que iria fazer para mudar a situação. Respondeu-me que ia estar sempre em movimento, e que não pararia sequer para dormir. Perguntei-lhe se achava que ia dar resultado. Respondeu-me que não.
Decidi ir-me embora. Despedi-me do Homem-Estátua, e pensei:
Por mais que se mexa, um Homem-Estátua será sempre um Homem-Estátua...
3 comentários:
MAs que grande texto...
Um segundo na nossa vida serve para nos rotularem imediatamente de coisas que nunca chegamos a ser...
(e reparei que não assinaste com a frase do costume... esquecimento ou uma nova era do grande XP?)
É um texto diferente, em que só alguém como o Avô Kimera conseguiria perceber verdadeiramente.
Obrigado.
Ai que queridos que eles estão...
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