-Feliz Aniversário!, gritaram uníssono todos os convidados. De seguida, e num gesto quase mecânico, limitei-me a apagar as velas do bolo. A cada ano que passa, uma vela é acrescentada ao bolo. Após partir o bolo, posso finalmente recolher-me. Decido pensar. Todos os anos é sempre a mesma coisa. Para os outros, comemorar o aniversário é uma forma de celebrar a vida. Para mim não. Serve apenas para me lembrar que estou mais perto da morte. Cada dia de aniversário simboliza apenas um passo mais em direcção ao fim.
E se esse fim fosse hoje? Quantas linhas teria o texto da minha lápide? Haveria alguma frase que valesse a pena? Sempre que faço anos não consigo deixar de pensar nisto. Passo em revista o ano que passou, e penso no que ficou para fazer, no que ficou mal feito. O resto, o que consegui fazer, desvalorizo. Afinal de contas, se o consegui fazer, foi porque não era assim tão difícil.
Bem sei que é só mais um dia, um dia igual a tantos outros, não fossem as mesmas felicitações de sempre a atormentarem-me. Neste dia é suposto estar contente, lembrar-me que sou uma pessoa afortunada por ter o que tenho, por ser o que sou, por ter alcançado o que alcancei. De tudo isto me lembro, de tudo isto me esqueço.
Continuo assim, e quase me esqueço que é o dia em que se celebra o meu aniversário. Isto anima-me um pouco, até que alguém passa por mim e diz:
- Feliz Aniversário!
1 comentário:
não sejas pessimista...
hoje é mais um dia... mais um dia da tua vida. tens é que o aproveitar
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